terça-feira, 23 de março de 2010

Gastrite

O estômago é um órgão de extrema importância para o processo de digestão dos alimentos. Nele, encontram-se vários tipos de células, com diferentes funções. Algumas produzem enzimas que ajudam na quebra dos alimentos e outras produzem ácido clorídrico, que é responsável pelo ambiente ácido característico desse órgão. Normalmente, há produção de um muco que reveste internamente a parede do estômago, protegendo as células da agressão pelo ácido.

A gastrite é uma doença inflamatória que se caracteriza por acometimento da camada de tecido mais superficial que reveste o estômago, a mucosa gástrica. Essa inflamação desenvolve-se como uma resposta normal quando ocorre uma agressão à sua integridade. Entretanto, essa resposta normal pode levar ao desenvolvimento de sinais e sintomas característicos dessa doença. A agressão que desencadeia o processo pode ser aguda ou crônica.

A gastrite pode ser causada por diversos fatores diferentes:

  • Helicobacter pilory: essa bactéria tem a capacidade de viver dentro da camada de muco protetor do estômago. A transmissão pode ocorrer por 2 vias: oral-oral ou fecal-oral. A gastrite não é causada pela bactéria em si, mas pelas substâncias que ela produz e que agridem a mucosa gástrica, podendo levar à gastrite, úlcera péptica e, a longo prazo, ao câncer de estômago.
  • Aspirina: O uso de aspirina e de outros antiinflamatórios não-esteróides podem causar gastrite porque levam à redução da proteção gástrica. Importante ressaltar que esses medicamentos só levam a esses problemas quando usados regularmente por um longo período. O uso de corticóide por longo período também pode levar à gastrite.
  • Álcool: Pode levar à inflamação e dano gástrico quando consumido em grandes quantidades e por longo período.
  • Gastrite auto-imune: Em situações normais, o organismo produz anticorpos para combater agressores externos. Em algumas situações, pode haver produção de anticorpos contras as próprias células do organismo, levando a vários tipos de doenças ( por exemplo, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide, diabetes mellitus tipo 1). Na gastrite auto-imune, os anticorpos levam à destruição de células da parede do estômago, reduzindo a produção de várias substâncias importantes. O câncer de estômago também pode ocorrer a longo prazo.
  • Outras infecções: A gastrite infecciosa pode ser causada por outras bactérias que não o H.pilory, como por exemplo a bactéria da tuberculose e da sífilis; pode também ser causada por vírus, fungos e outros parasitas.
  • Formas incomuns: São causas mais raras. Tem-se a gastrite linfocítica e eosinofílica; a gastrite granulomatosa isolada; e a gastrite associada a outras doenças como a sarcoidose e a doença de Crohn.
  • A gastrite aguda também pode ocorrer em pacientes internados por longo período em unidades de tratamento intensivo, em pacientes politraumatizados e em grandes queimados.

Sintomas:

A gastrite pode ser completamente assintomática, principalmente nos casos crônicos. Na fase aguda os sintomas são mais proeminentes. Geralmente os sintomas são:

  • Desconforto na região superior do abdome: pode ser representado por dor ou apenas um desconforto. Alguns pacientes podem relatar dor em queimação; dor que melhora com a ingestão de alimentos.
  • Náuseas e vômitos, geralmente acompanhando o desconforto.
  • Saciedade precoce, ou seja, sensação de empachamento logo após a refeição. Esse sintoma pode levar à redução e perda de apetite.
  • Se a gastrite levar à formação de úlceras gástricas hemorrágicas, pode haver eliminação de sangue digerido, nas fezes (que ficam escuras) ou nos vômitos.


Alguma Orientações:

  • Comer em pequenas quantidades e várias vezes ao dia, evitando ficar sem alimentação por mais de 3 horas seguidas
  • Alimentar-se com calma, mastigando bem os alimentos, o que facilita o esvaziamento gástrico e a digestão
  • Evitar os famosos "fast-foods"
  • Consumir bebidas alcoólicas com moderação, se possível evitar o consumo
  • Não há motivo para restrição dietética, mas se possível devem-se evitar ou reduzir a ingestão de alimentos muito gordurosos, frituras, doces concentrados, comidas muito condimentadas. Preferir refeições mais leves, de mais fácil digestão
  • O consumo de café e outras bebidas que contêm cafeína não é contra-indicado se o paciente tolera bem essas bebidas
  • Outra questão importante é o cuidado com a higiene pessoal e dos alimentos, para reduzir a transmissão de agentes infecciosos.

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