domingo, 28 de março de 2010

Fibro Edema Gelóide



O fibro edema gelóide, nome correto da "celulite" é um conjunto de transtornos que ocorrem no tecido conectivo cutâneo e subcutâneo, tem origem multifatorial manifestando-se na pele, originando a aparência comumente conhecida como "casca de laranja". Atualmente o fibro edema gelóide é a principal queixa e preocupação das mulheres em nível mundial, mas a grande maioria desconhece sua fisiopatologia. Histologicamente afirma-se que o fibro edema gelóide é uma infiltração edematosa do tecido conjuntivo subcutâneo, sem origem inflamatória, seguida de polimerização da substância fundamental que, infiltrando-se nas tramas, produz uma reação fibrótica consecutiva.

O coração envia sangue limpo através das artérias e ao longo de seu trajeto elas vão se estreitando até formar os capilares arteriais, cujas paredes são muito finas permitindo um contato íntimo entre o sangue e os tecidos. Por meio desses, o sangue leva para o organismo o oxigênio e os nutrientes. Já os capilares venosos têm a função de recolher os produtos descartados e conduzí-los até os órgãos encarregados de expulsá-los do circuito. É no líquido intersticial ou fundamental do tecido subcutâneo onde os capilares venosos e arteriais trocam seus componentes, oxigênio e nutrientes por resíduos e toxinas.

Como se forma o fibro edema gelóide:

Se ocorre um déficit de irrigação ou a quantidade de toxinas incorporadas é tão grande que supera a capacidade normal de eliminação dos capilares venosos, a precisão do sistema falha e esse desequilíbrio causa alteração do tecido. Os elementos contidos nos resíduos não podem ser corretamente eliminados e se acumulam na substância fundamental que fica mais densa. Os nutrientes continuam chegando às células, e estas seguem gerando gordura que se deposita no seu interior, produzindo assim um aumento dos adipócitos exercendo uma grande pressão no local. O oxigênio e os nutrientes começam a chegar com mais dificuldade. Os fibroblastos produzem fibras de colágeno, elastina e mucopolissacarídeos defeituosos. A substância fundamental torna-se muito densa e espessa. Criam-se redes que no seu interior formam-se grupos de grandes adipócitos formando micronódulos que invadem a derme, causando a alteração do tecido como hipertrofia, alteração da permeabilidade capilar e endurecimento da rede de fibras pericapilares.


Atualmente o fibro edema gelóide não é considerado apenas uma deformação estética, e sim uma doença, devido ao fato de não estar ligado necessariamente à obesidade, mas a vários outros fatores incluindo uma alimentação inadequada, resultando no aumento da retenção de água, sódio e potássio, levando a compressão de veias e vasos linfáticos.

O Fibro Edema Gelóide possui quatro distintos estágios:

  1. Congestão: Caracteriza-se pela diminuição da microcirculação venosa e linfática, onde os vasos se dilatam e o sangue permanece alojado mais tempo que o habitual
  2. Infiltração: A estase venosa e a vasodilatação tornam a parede dos vasos venosos e linfáticos mais permeáveis, deixando sair um líquido rico em sódio e mucopolissacarídeos para o exterior
  3. Fibrosa: Devido à estase circulatória, ocorre uma transformação do líquido seroso em uma substância gelóide
  4. Esclerose: Proliferação da substância fibrosa na derme e hipoderme e organização de fibrilas túrgidas. Forma-se redes que englobam células adiposas, vasos venosos, linfáticos e nervos, dificultando as trocas nutricionais.


terça-feira, 23 de março de 2010

Gastrite

O estômago é um órgão de extrema importância para o processo de digestão dos alimentos. Nele, encontram-se vários tipos de células, com diferentes funções. Algumas produzem enzimas que ajudam na quebra dos alimentos e outras produzem ácido clorídrico, que é responsável pelo ambiente ácido característico desse órgão. Normalmente, há produção de um muco que reveste internamente a parede do estômago, protegendo as células da agressão pelo ácido.

A gastrite é uma doença inflamatória que se caracteriza por acometimento da camada de tecido mais superficial que reveste o estômago, a mucosa gástrica. Essa inflamação desenvolve-se como uma resposta normal quando ocorre uma agressão à sua integridade. Entretanto, essa resposta normal pode levar ao desenvolvimento de sinais e sintomas característicos dessa doença. A agressão que desencadeia o processo pode ser aguda ou crônica.

A gastrite pode ser causada por diversos fatores diferentes:

  • Helicobacter pilory: essa bactéria tem a capacidade de viver dentro da camada de muco protetor do estômago. A transmissão pode ocorrer por 2 vias: oral-oral ou fecal-oral. A gastrite não é causada pela bactéria em si, mas pelas substâncias que ela produz e que agridem a mucosa gástrica, podendo levar à gastrite, úlcera péptica e, a longo prazo, ao câncer de estômago.
  • Aspirina: O uso de aspirina e de outros antiinflamatórios não-esteróides podem causar gastrite porque levam à redução da proteção gástrica. Importante ressaltar que esses medicamentos só levam a esses problemas quando usados regularmente por um longo período. O uso de corticóide por longo período também pode levar à gastrite.
  • Álcool: Pode levar à inflamação e dano gástrico quando consumido em grandes quantidades e por longo período.
  • Gastrite auto-imune: Em situações normais, o organismo produz anticorpos para combater agressores externos. Em algumas situações, pode haver produção de anticorpos contras as próprias células do organismo, levando a vários tipos de doenças ( por exemplo, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide, diabetes mellitus tipo 1). Na gastrite auto-imune, os anticorpos levam à destruição de células da parede do estômago, reduzindo a produção de várias substâncias importantes. O câncer de estômago também pode ocorrer a longo prazo.
  • Outras infecções: A gastrite infecciosa pode ser causada por outras bactérias que não o H.pilory, como por exemplo a bactéria da tuberculose e da sífilis; pode também ser causada por vírus, fungos e outros parasitas.
  • Formas incomuns: São causas mais raras. Tem-se a gastrite linfocítica e eosinofílica; a gastrite granulomatosa isolada; e a gastrite associada a outras doenças como a sarcoidose e a doença de Crohn.
  • A gastrite aguda também pode ocorrer em pacientes internados por longo período em unidades de tratamento intensivo, em pacientes politraumatizados e em grandes queimados.

Sintomas:

A gastrite pode ser completamente assintomática, principalmente nos casos crônicos. Na fase aguda os sintomas são mais proeminentes. Geralmente os sintomas são:

  • Desconforto na região superior do abdome: pode ser representado por dor ou apenas um desconforto. Alguns pacientes podem relatar dor em queimação; dor que melhora com a ingestão de alimentos.
  • Náuseas e vômitos, geralmente acompanhando o desconforto.
  • Saciedade precoce, ou seja, sensação de empachamento logo após a refeição. Esse sintoma pode levar à redução e perda de apetite.
  • Se a gastrite levar à formação de úlceras gástricas hemorrágicas, pode haver eliminação de sangue digerido, nas fezes (que ficam escuras) ou nos vômitos.


Alguma Orientações:

  • Comer em pequenas quantidades e várias vezes ao dia, evitando ficar sem alimentação por mais de 3 horas seguidas
  • Alimentar-se com calma, mastigando bem os alimentos, o que facilita o esvaziamento gástrico e a digestão
  • Evitar os famosos "fast-foods"
  • Consumir bebidas alcoólicas com moderação, se possível evitar o consumo
  • Não há motivo para restrição dietética, mas se possível devem-se evitar ou reduzir a ingestão de alimentos muito gordurosos, frituras, doces concentrados, comidas muito condimentadas. Preferir refeições mais leves, de mais fácil digestão
  • O consumo de café e outras bebidas que contêm cafeína não é contra-indicado se o paciente tolera bem essas bebidas
  • Outra questão importante é o cuidado com a higiene pessoal e dos alimentos, para reduzir a transmissão de agentes infecciosos.

sábado, 20 de março de 2010

Equimose

Equimose é uma infiltração de sangue na malha dos tecidos. Surge com a rotura de capilares.
As que surgem à distância resultam da migração do sangue extravasado ou por aumento da pressão venosa por compressão das veias de drenagem, por exemplo, petéquias em conjuntivas oculares.
A Equimose ,é a infiltração de sangue na malha dos tecidos ,surge com a rotura de capilares.Pode suceder uma rubefação ou hiperemia ,podendo estar relacionada a taruma ou distúrbios de coagulação.
Petéquias - cabeça de alfinete - desaparecem mais rápido que as demais.
Sugilação - confluência de numerosas lesões puntiformes em uma área bem definida - grãos de areia.
Sufusão - formada por uma "hemorragia" mais extensa - mantém o centro violáceo e as mudanças de cor ocorrem na periferia.
Equimoses espontâneas não se relacionam às contusões, nem possuem sede preferencial. Têm distribuição simétrica no corpo, acompanhadas por outros sinais de doenças hemáticas.
Equimoses post-mortem - surgem nas regiões de livores intensos.
Nevus azul - (pardo-escuro) - deposição congênita de melanina na região sacra - não é equimose.
Evolução cromática da equimose - deve-se à progressiva reabsorção da "hemorragia" pela ação dos macrófagos.

Hemossiderina

A hemossiderina é um pigmento anormal microscópico de origem endógena, encontrado no corpo humano. Possui uma coloração acastanhada, sendo resultante da degredação de hemácias.
É composto de óxido de ferro e pode se acumular em diferentes órgãos em diversas doenças. O ferro é necessário para muitas das reações químicas do corpo mas é tóxico quando não estiver adequadamente contido. Consequentemente, muitos métodos de armazenamento do ferro foram desenvolvidos.
Os humanos tipicamente armazenam ferro no interior de uma proteína chamada ferritina. A forma do ferro na ferritina é o ferro III. Ao se ligar com a ferritina, o ferro se torna solúvel em água. Diversas doenças resultam da deposição de ferro III em tecidos em uma forma insolúvel. Estes depósitos de ferro são chamados hemossiderina. Embora estes depósitos freqüentemente não causem sintomas, eles podem causar uma lesão ao órgão.
O acúmulo e o processo de reabsorção estão relacionados às variações de coloração presentes no espectro equimótico.

Icterícia

Icterícia por acumulação de bilirrubina conjugada ou direta

A bilirrubina é um produto da metabolização dos grupos Hemo. Existem dois tipos de bilirrubina, a não conjugada ou indireta e a conjugada ou direta. A bilirrubina conjugada é o resultado da metabolização hepática da não conjugada. Depois de ser conjugada a bilirrubina torna-se hidrossolúvel, de modo que pode ser excretada pela urina, se bem que isto só acontece em situações patológicas já que geralmente é liberada na bílis, posteriormente degradada pelas bactérias dos intestinos em urobilinogênio, que dá a cor característica às fezes e por sua vez é parcialmente reabsorvido no intestino e excretado pela urina conferindo-lhe também um pouco de coloração.
A icterícia por acumulação de bilirrubina conjugada deve-se a uma colestase. Desse modo a bilirrubina não pode ser excretada pelo colédoco, indo parar na corrente sanguínea. Como já foi referido, a bilirrubina conjugada pode ser excretada pela urina resultando assim uma urina escura, cor de coca-cola ou conhaque, com espuma amarela chamada colúria. A ausência de urobilinogênio nas fezes causa deposições brancas chamadas acolia. Do mesmo modo que se acumula bilirrubina no sangue também se acumulam sais biliares que interferem no equilíbrio de dissociação entre albumina-bilirrubina favorecendo o estado livre da última e a sua excreção pela urina. Os sais biliares em sangue também provocam prurido e bradicardia.

ENDOMETRIOSE

Endometriose Dor e Infertilidade


QUE É ?
Endometriose é uma doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. Endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação.
ONDE SE LOCALIZA ?
Os locais mais comuns da endometriose são: Fundo de Saco de Douglas ( atrás do útero ), septo reto-vaginal (tecido entre a vagina e o reto ), trompas, ovários, superfície do reto, ligamentos do útero, bexiga, e parede da pélvis.

Causas?
Há diversas teorias sobre as causas da endometriose. A principal delas é que, durante a Menstruação, células do endométrio, camada interna do útero, sejam enviadas pelas trompas para dentro do abdômen. Há evidências que sugerem ser uma doença genética. Outras sugerem ser uma doença do sistema de defesa. Na realidade sabe-se que as células do endométrio podem ser encontradas no líquido peritoneal em volta do útero em grande parte das mulheres. No entanto apenas algumas mulheres desenvolvem a doença. Estima-se que 6 a 7 % das mulheres tenham endometriose.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Disfunção da ATM

A ATM é a articulação que une a mandíbula ao crânio e está localizada na frente do ouvido e é utilizada na fala, mastigação e deglutição. A disfunção da ATM é o funcionamento anormal da articulação temporo-mandibular, ligamentos, músculos da mastigação, ossos maxilar-mandíbula, dentes e estruturas de suporte dentário. Os dentes inferiores quando em contato com os dentes superiores formam a oclusão dental, responsável pela estabilidade da ATM. A oclusão inadequada (má oclusão) é, na maioria dos casos, a responsável direta pela disfunção da ATM. A disfunção está relacionada a hábitos comuns, como o apertamento dentário e o bruxismo, morder objetos estranhos, roer unhas, mascar chiclete, postura da cabeça (para a frente), o de prender o telefone com o queixo ou ainda apresentar fatores relacionados com o estresse, depressão e ansiedade ou eventos traumáticos.


Sintomas:

  • Dores de cabeça
  • Dores de ouvido
  • Dor e pressão atrás dos olhos
  • Um "clique" ou sensação de desencaixe ao abrir ou fechar a boca
  • Dor ao bocejar, ao abrir muito a boca ou ao mastigar
  • Mandíbulas ficam "presas", travam ou saem do lugar
  • Flacidez dos músculos da mandíbula
  • Brusca mudança no modo em que os dentes superiores e inferiores se encaixam

O paciente que apresenta uma disfunção da ATM pode ter dor de cabeça na região temporal a acordar ou no final da tarde, sensação de rosto cansado, limitação de abertura bucal, dor ao mastigar, estalos na ATM, zumbido.


Tratamento:


Os tratamentos da disfunção da ATM são diversos e consistem na eliminação dos fatores que podem estar contribuindo e agindo na manutenção da dor. O processo de eliminação da dor vai desde a terapia de pontos de gatilho na musculatura da ATM, comportamento cognitivo, terapia muscular e em alguns casos pode ser necessária a utilização de uma placa estabilizadora ou reposicionadora entre outros.